domingo, janeiro 29, 2006
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Tanto amar, Manuel!

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
esteve presente
algum cheirinho de alecrim
Canta a primavera, pá
pois certamente
germina a semente
num cantinho do jardim
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
mesmo em janeiro
tenho três rosas no jardim!!!
variação ao tema do Chico, Tanto mar
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Um resultado histórico
Em apenas três meses, Manuel Alegre alcançou um resultado histórico nas eleições presidenciais, contrariando a lógica da bipolarização entre Cavaco Silva e Mário Soares, que desde o início se tinha instalado na generalidade dos média. Está de parabéns o nosso Candidato, está de parabéns o movimento cívico que se gerou à volta da sua candidatura, estão de parabéns todos os que com total generosidade e entusiasmo se entregaram a esta causa e com Manuel Alegre ajudaram a construir este resultado. Foi uma vitória da democracia participativa e do poder dos cidadãos, para lá dos máquinas e directórios partidários. O feito histórico que Manuel Alegre conseguiu é já um facto pioneiro nas democracias europeias e representa uma forma de combater a crise do sistema de representação política. Não deixaremos que a esperança que se abriu seja devorada pela pequenez dos que não sabem ler nos resultados eleitorias os sinais dos tempos, nem são capazes de tirar lições das derrotas que sofreram.
[A candidatura de Manuel Alegre, 23.01.2006]
domingo, janeiro 22, 2006
segunda-feira, janeiro 16, 2006
História da princesa moura e do dragão azul
de uma princesa moura das terras quentes do sul
e de um dragão azul - que era afinal um príncipe
das terras altas do norte
Andava a princesa desaustinada, numa noite de temporal
e absolut vodka, num reino que ficava equidistante.
(Ela não sabia do que andava à procura.)
Entrou na sua carruagem puxada por noventa cavalos e tinha apenas percorrido alguns metros quando se lhe atravessou no caminho um jovem dragão azul com figura de príncipe, molhado como um pinto por causa da chuva que caía muito forte. Ela parou, baixou o vidro da carruagem, e ele quis saber que música vinha ela a ouvir e para onde ia ela àquela hora da madrugada.
Logo aí a moura percebeu que era um dragão azul das terras altas do norte que lhe falava a sorrir, e foi sem ela se dar conta que ele a raptou, convidando-a para sua casa...
Ainda se perderam, porque o belo dragão ainda não sabia de cor o caminho de casa.
Mas a princesa deixou-se levar até ao castelo, feliz por acreditar que o dragão não lhe iria fazer mal - quem sabe seria um príncipe? (Parecia mesmo um príncipe que ela já tinha visto num filme!...)
Encontraram-se numa noite de temporal
entre o norte e o sul
e foi ela que o guiou
sem saber que estava a ser raptada
Quando chegaram ao castelo o príncipe abriu a porta devagar e entraram os dois pé ante pé, pois todos se encontravam já a dormir.
Os aposentos continuavam mergulhados na penumbra da madrugada e a princesa moura ficou a saber que no castelo não havia luz nem água, e por isso foi preciso acender uma vela.
Conversaram de música e cinema durante um bocadinho, mas o dragão dentro do príncipe começou a beijar a moura, que estava cheia de medo.
(Não é todos os dias que uma moura é raptada por um dragão azul das terras altas do norte!...)
E cheia de medo ela se foi entregando devagarinho até deixar de ser princesa, para se transformar numa sereia nos braços do belo príncipe...
Abraçaram-se muito, beijaram-se muito, mas ela temia que o dragão fosse apenas mais um sapo, e lá se ia protegendo como podia, dando muito mas não tudo.
Queria sossegá-lo, ao príncipe, mas o dragão não queria sossegar...
E foi preciso muito carinho e ternura e paciência para adormecer o príncipe e o dragão dentro dele...
Depois a sereia procurou peça a peça as suas roupas espalhadas pelo chão e foi-se vestindo devagar e sem barulho, para não o acordar.
Ela apagou a vela, tapou o príncipe adormecido e beijou-o docemente na face. Ele sorriu, sem abrir os olhos.
E a moura disse "Até logo".
Encantada.
Coimbra, 1998
terça-feira, janeiro 10, 2006
Em breve
Só um passo. Estamos todos.
Em breve o horizonte se espraiará
até aos confins da consciência.
Em breve te sentarás no cimo do farol
num dia claro de primavera.
Seguiremos de mãos dadas.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
domingo, janeiro 01, 2006
terça-feira, dezembro 27, 2005
sexta-feira, dezembro 16, 2005
terça-feira, dezembro 13, 2005
Then sing, ye birds, sing, sing a joyous song!
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.
W. Wordsworth
Ode: Intimations Of Immortality From Recollections Of Early Childhood
sexta-feira, novembro 25, 2005
Menina do circo
Ela estava a pintar os olhos quase colada ao espelho, como se estivesse à procura de alguma coisa dentro dos olhos, por debaixo das pálpebras, com um lápis de carvão. Primeiro um, depois o outro. Depois voltava ao primeiro.Cada vez que abriam a porta era uma onda de ruído que entrava pelo quarto e o enchia até ao tecto.
Ele andava de um lado para o outro, como os animais presos, da janela até à parede branca e depois voltava para trás. Não valia a pena olhar lá para fora: fazia demasiado escuro. Se houvesse uma cadeira talvez se sentasse, mas não havia cadeira nenhuma e não ia ficar ali de pé, parado, num sítio qualquer. Ficaria com ar de parvo.
A meio da sala havia uma mesa redonda com coisas para comer e algumas garrafas. Ele não tinha fome nem sede.
Foi então que ela soltou dois gritos muito agudos para desprender a voz. Se calhar para afastar a ansiedade com um susto.
Também ele sentia ansiedade. Como se fosse ele que tivesse de ir cantar para uma pequena multidão impaciente, ele que não sabia cantar, nem para os amigos. "Tudo pronto. Entramos dentro de dois minutos", ouviu dizer ao guitarrista que tinha acabado de entrar. Ela pôs-se de pé. Estava vestida como uma menina do circo que anda sobre os elefantes. Isso enterneceu-o. Aproximou-se dela para a agarrar, para a beijar, mas ela estendeu os braços em frente, afastando-o. Por causa da pintura. E os beijos enfraquecem a voz. Era o que ela costumava dizer.
O guitarrista agarrou na guitarra lacada de vermelho encostada à parede do fundo e saiu.
"Até já, meu menino". E a porta fechou-se atrás dela.
Ele ia continuar o seu inútil passeio entre a janela negra e a parede branca. Contaria as músicas. Sabia que eram treze, porque era sempre assim. Até lá não havia mais nada a fazer.
in A noiva judia
Pedro Paixão
Menina do circo II
Era muito tarde. Alguém disse que o carro já tinha chegado. Ele agarrou nela como num embrulho frágil e deitou-a no banco de trás. Foi também ele que fechou a porta. Alguém gritou o nome dela do escuro e o carro pôs-se em movimento.
A primeira à direita, a terceira à esquerda e depois entraram numa floresta de eucaliptos, silenciosa, durante alguns quilómetros. De vez em quando ele espreitava pelo espelho retrovisor, que tinha ajustado, para a poder ver, imóvel, estendida sobre o banco, e depois voltava a olhar para a frente descobrindo a estrada iluminada pela luz branca dos faróis. Aliás de noite nada tem cor, a não ser os sonhos dela que ele não podia ter a certeza de querer adivinhar.
A certa altura ele começou a assobiar muito baixinho. Voltou a calar-se e depois chamou pelo nome dela, mas sem que ela o ouvisse. Só para dizer o nome dela. Nisto ocorreu-lhe, por absurdo, a ideia de que alguém tinha morrido e que transportava consigo esse cadáver do qual era necessário desfazer-se urgentemente. Quase sentiu medo. Foi então, bruscamente, que uma mão lhe aflorou a nuca e ouviu uma voz que dizia: "Meu menino, meu menino".
Pedro Paixão
A noiva judia
segunda-feira, novembro 21, 2005
sábado, novembro 12, 2005
o amor mais fundo
quarta-feira, novembro 09, 2005
lua cheia
- eu não te quero acordar -
e sentir a flor da tua pele muito branca
na ponta da minha língua,
como se eu fosse um gato
e a tua pele a linha branca do nível do leite
morno, esquecido
e depois ir descendo pelas tuas costas
apertar e ouvir-te gemer
ir descendo pela linha da cintura até ao joelho,
sentir essa penugem loura e quente e voltar a subir
e de novo molhar a língua no teu pescoço
na linha dos cabelos que eu cortei
e aí morder-te sem magoar
e voltar a descer-te pela barriga
depois subir-te pelo peito e ouvir o teu suspiro
e ficar tonta
e continuar até ao refúgio de pêlos mais secreto do teu corpo
e demorar
sentir-te erecto e quente e descer ainda um pouco
e ouvir que tu queres mais
e dar-te mais, devagarinho
e saber que tu queres mais
e dar-te sempre mais porque é urgente
juntar o movimento do meu corpo todo
ao movimento do teu corpo todo
e ser a tua mulher no caminho da vertigem
de te dar e receber
(mesmo que queiras morrer e a vida te seja madrasta,
porque tu ainda estás vivo e ainda estás aqui)
93
sexta-feira, novembro 04, 2005
paixão e morte
cá no fundo e à flor da pele
nem a morte nem a vida me roubariam de ti
e nem de noite nem de dia te levariam de mim
deixar-te-ia correr lentamente no meu sangue
se eu pudesse guardar-te comigo
mas deixa-me em paz
sai-me da ideia, por favor
não vês que sem ti fico melhor?
não sentir o sabor da tua boca
e ir esquecendo devagar que tu já foste
o meu tesouro mais secreto
o meu veneno mais letal
o meu primeiro e último suspiro
sai de mim
por favor sai de mim
senão morro por te ter e não te ter
o teu calor dentro das veias faz-me falta
e faz-me mal
se eu pudesse guardar-te comigo
deixar-te-ia correr
lentamente
no meu sangue
deixa-me em paz
por favor
sexta-feira, outubro 21, 2005
terça-feira, outubro 18, 2005
domingo, outubro 09, 2005
quinta-feira, outubro 06, 2005
domingo, outubro 02, 2005
quarta-feira, setembro 28, 2005
Um poema de Agostinho
Vieram com os Césares os fumos de mandar, - e o Sol se cobriu;
Vieram com Trento os autos de fé, - e o Sol se cobriu;
e nunca mais Portugal foi luz.
Porque, porém, dobrou o joelho, - eis aí a pergunta;
Porque, tão fácil, entregou o guerreiro a sua espada, - eis aí a pergunta;
Porque, tão fácil, renunciou o monge à sua alma, - eis aí a pergunta;
a pergunta que, sem resposta, fez da Nação um luto.
Inês o sabe e não perdoa, - que por ela pecaram portugueses;
Fernando o sabe e não perdoa, - que por ele pecaram portugueses;
África o sabe e não perdoa, - que por ela pecaram portugueses;
curva o remorso as frontes, abate a pena as mentes.
Só pagará a dívida o que em mim for frade, - num só claustro, o mundo;
Só pagará a dívida o que em mim for braço, - de meu irmão ajuda;
Só pagará a dívida o que em mim for nada, - perante um Deus que é tudo;
como se Portugal inteiro em mim coubesse.
terça-feira, setembro 20, 2005
quinta-feira, setembro 15, 2005
terça-feira, setembro 13, 2005
terça-feira, agosto 23, 2005
pingo
ontem à noite vieram pedir-me ajuda para tirar um gatito de cima de uma árvore, num quintal com 5 cães... =8)tudo bem, os cães são bem tratados (educados e gentis) e já me conhecem, nada de grave!
o problema é que vim para casa com mais um felino, ainda criança, tem uns 4 meses, está bem tratado, cheira bem e não tem pulgas
vou tentar encontrar o dono, hoje, mas por enquanto a família está em seis gatos!
aaaaaaaaaaaaaaai a minha vida
tcham tcham tcham
(xutos & pontapés)










































