quarta-feira, junho 21, 2006
segunda-feira, maio 29, 2006
terça-feira, maio 23, 2006
sexta-feira, maio 05, 2006
terça-feira, maio 02, 2006
O Silêncio
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
Eugénio de Andrade, Obscuro Domínio
segunda-feira, abril 24, 2006
quinta-feira, abril 20, 2006
sexta-feira, abril 07, 2006
segunda-feira, abril 03, 2006
Sim
um vácuo esparsamente preenchido
gotas suspensas
por cima de outros mundos
como girassóis
como espuma
... à procura, sempre
de uma ilha de coral nos olhos
de um banco de areia no corpo...
terça-feira, março 21, 2006
domingo, março 19, 2006
sexta-feira, março 17, 2006
quinta-feira, março 16, 2006
sábado, março 11, 2006
31 de Maio de 1961
E são chegados os quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus. O adversário do Benfica, o Aarhus da Dinamarca. A primeira “mão” marcada para o dia 8 de Março de 1961 no Estádio da Luz, em Lisboa, e a segunda para 30 de Março, na Dinamarca. Em casa o Benfica venceu por 3-1, na Dinamarca por 4 -1, tendo o golo do Aarhus sido um auto golo de Germano.
O Rapid de Viena foi o adversário do Benfica nas meias-finais. Na Luz, o resultado de 3-0, dava confiança para a segunda-mão e abria o caminho do Benfica para a final.
Foi no dia 31 de Maio de 1961, em Berna, que o Sport Lisboa e Benfica, sob a orientação de Bella Guttmann, ao bater o Barcelona por 3-2, conseguiu trazer para Portugal a ambicionada Taça dos Clubes Campeões Europeus.Tratou-se de um jogo arrasante. Aos vinte minutos do primeiro tempo, Kocsis marcou para o Barcelona. Mas ainda antes de acabarem os 45 minutos iniciais, Águas e Ramallets (este, na própria baliza) colocariam os portugueses em vantagem no marcador.
No segundo tempo, Coluna e Czibor colocaram o resultado final em 3-2, favorável aos "encarnados".
SeteCaminhos

José Augusto, Santana, Águas, Cavém e Coluna
"O grande dia em que o Benfica ia defrontar o Barcelona para a final da Taça dos Campeões Europeus chegara. Mas, tão ou mais importante, é que o jogo “dava na televisão”, uma vez que a Eurovisão transmitia o jogo. Os nervos lá em casa eram mais que muitos. A família esperava impaciente o início do jogo que, a vencermos, daria ao Benfica o título de Campeão Europeu. Eu, na altura com nove anos, estava também contagiado por aquela dupla expectativa (o futebol e a televisão). Lá em casa eram todos sportinguistas. Apenas eu, por um lado para contrariar, e por outro porque o grande amigo da família e de quem eu muito gostava, o Tio Gil, era benfiquista ferrenho. Mas, naquela altura as cores de Portugal gritavam mais alto. “Não é o Benfica que vai jogar, é Portugal!”, dizia o meu pai com convicção. E, impaciente, admoestava-me “Vá, está calado, toma atenção”. E aí está, as equipas entram no relvado. O equipamento, embora a preto e branco no écran, mantinha as cores mágicas na minha imaginação, o encarnado e branco. Costa Pereira, Cavem, Germano, Santana, Coluna, …José Águas…! E, vá lá saber-se porquê, este último nome agradou-me, tinha qualquer coisa de diferente… de mágico…! “Oh Jorge, sai da frente! Senta-te sossegado!” O jogo tinha começado. Durante aqueles noventa minutos em que o meu pai fumava cigarro atrás de cigarro, e a minha mãe pontapeava incessantemente a atmosfera, eu, completamente enfeitiçado, não despregava os olhos do pequeno écran. O meu vocabulário enriquecia a olhos vistos: desmarcar, flancos, linha de cabeceira, esférico… E o espectáculo continuava, tão mágico que aquele José Águas que tinha, vá lá saber-se porquê, prendido a minha atenção, marcou um dos três golos que deram a vitória ao meu Benfica. Ao Portugal dos meus pais. " Jorge Galveias in José Águas O CAPITÃO DOS CAMPEÕES SeteCaminhos
quinta-feira, março 09, 2006
sábado, março 04, 2006
Exposição Fotográfica do Z

av. frei miguel contreiras 54 b, lisboa
a partir de 9 de março pelas 21.30
quarta-feira, março 01, 2006
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
o fim do carnaval luso
;D
"Fico sempre espantado com as notícias das televisões, que falam dos «foliões» que aguardam a passagem dos desfiles: e as imagens dão conta de umas famílias apinhadas nos passeios, com os miúdos encavalitados vendo passar o cortejo de horrores. Isto, claro, sem falar da música permanente de «mamãe eu quero, eu quero mamar» que todas as discotecas do Algarve passam aos berros para que comboios de «foliões», organizados com a espontaneidade de uma missa em latim, se meneiem e transpirem adequadamente."
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
BENFICA 1 LIVERPOOL 0

Sou do Benfica
E isso me envaidece
Tenho a genica
Que a qualquer engrandece
Sou de um clube lutador
Que na luta com fervor
Nunca encontrou rival
Neste nosso Portugal.
Ser Benfiquista
É ter na alma a chama imensa
Que nos conquista
E leva à palma a luz intensa
Do sol que lá no céu
Risonho vem beijar
Com orgulho muito seu
As camisolas berrantes
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
acerca da esterilização dos gatos
irás assumir responsabilidade pelas gatas que o teu gato engravidar e pelos gatinhos que nascerem dessas aventuras?
vais tomar conta deles, alimentá-los, dar-lhes abrigo?
achas mesmo que há condições para que nasçam mais gatos por aí?
é de um terrível egoísmo achar "crueldade" esterilizar os bichos e não ver problema nenhum em continuar a espalhar por aí ninhadas ao Deus dará
é por muito amar os gatos que não posso ficar calada
terça-feira, fevereiro 14, 2006
pirilampo
primeira vez num prado, lembras-te?
foi a teu lado que olhei por várias
vezes o céu enorme e estrelado e me
senti acompanhado.
foi a teu lado que chorei e ri, e quando
me perdi me mandaste tomar um duche
de água fria (por causa da Natureza...)
foi a teu lado que parti vidros e
gritei e depois adormeci sem saber como, encantado.
foi a teu lado, ao teu lado, em teu lado
que cresci e aprendi também a ser assim,
- pirilampo -
aquele que pelo escuro se vai iluminando.
P.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
domingo, fevereiro 12, 2006
um poema de Agostinho
que era todo universo à sua volta
um seduzido canto
- Uns Poemas de Agostinho.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
compreender e unir para que se lancem as estradas da paz
Reflictamos em que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes só um antagonismo de nomes esconde um acordo real. […]
Não os queremos trazer ao nosso grémio nem ingressar no deles; apenas desejamos que da melhor compreensão entre uns e outros, do conhecimento das essências, se erga a morada de um Pai que não distingue entre os eleitos e a todos por igual protege e incita; cada um ficará em sua lei; só pretendemos que não tome os de leis diferentes por implacáveis inimigos ou por almas perversas e perdidas; são homens como nós e vão-se dirigindo ao mesmo fim; desde já os vejamos como futuros companheiros”
- Considerações [1944].
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
defender o seu tesouro de sonho
E é à criança que temos de considerar o bom selvagem, estragando-a, deformando-a, inutilizando-a o menos que nos seja possível, defendendo o seu tesouro de sonho, jogo e criação, a sua espontaneidade e a sua malícia sem maldade, o seu entendimento sem análise e o seu amar do mundo sem a preocupação das sínteses; e foi afinal desta criança feita Deus, ou Deus se revelando, para um novo Evangelho, que nos falou Alberto Caeiro [...]”
– Educação de Portugal [1970].
Centenário do nascimento de Agostinho da Silva
O que deve imperar no mundo é o comportamento inocente, espontâneo, genial na maior parte das vezes, das crianças.
Não é por acaso que o Eça disse que as crianças portuguesas sempre lhe pareceram geniais e que os portugueses só ficavam imbecis na maioridade.

Eu advogo que seria muito interessante para os portugueses acostumarem-se a viver com o menos possível, porque quando a pessoa quer mais isto e aquilo e aqueloutro porque o vizinho tem, começa a ser um escravo. Eu acho que o São Francisco se fez pobre para ser livre. Eu acho que os votos religiosos não são votos de prisão, são votos de liberdade. A pobreza, não possuir gente, que é o segundo voto, e o terceiro voto, que é ser obediente, é não se possuir a si próprio. Porque aquilo que nós possuímos nos possui.
domingo, fevereiro 05, 2006
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
domingo, janeiro 29, 2006
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Tanto amar, Manuel!

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
esteve presente
algum cheirinho de alecrim
Canta a primavera, pá
pois certamente
germina a semente
num cantinho do jardim
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
mesmo em janeiro
tenho três rosas no jardim!!!
variação ao tema do Chico, Tanto mar
>;D*********************
Um resultado histórico
Em apenas três meses, Manuel Alegre alcançou um resultado histórico nas eleições presidenciais, contrariando a lógica da bipolarização entre Cavaco Silva e Mário Soares, que desde o início se tinha instalado na generalidade dos média. Está de parabéns o nosso Candidato, está de parabéns o movimento cívico que se gerou à volta da sua candidatura, estão de parabéns todos os que com total generosidade e entusiasmo se entregaram a esta causa e com Manuel Alegre ajudaram a construir este resultado. Foi uma vitória da democracia participativa e do poder dos cidadãos, para lá dos máquinas e directórios partidários. O feito histórico que Manuel Alegre conseguiu é já um facto pioneiro nas democracias europeias e representa uma forma de combater a crise do sistema de representação política. Não deixaremos que a esperança que se abriu seja devorada pela pequenez dos que não sabem ler nos resultados eleitorias os sinais dos tempos, nem são capazes de tirar lições das derrotas que sofreram.
[A candidatura de Manuel Alegre, 23.01.2006]
domingo, janeiro 22, 2006
segunda-feira, janeiro 16, 2006
História da princesa moura e do dragão azul
de uma princesa moura das terras quentes do sul
e de um dragão azul - que era afinal um príncipe
das terras altas do norte
Andava a princesa desaustinada, numa noite de temporal
e absolut vodka, num reino que ficava equidistante.
(Ela não sabia do que andava à procura.)
Entrou na sua carruagem puxada por noventa cavalos e tinha apenas percorrido alguns metros quando se lhe atravessou no caminho um jovem dragão azul com figura de príncipe, molhado como um pinto por causa da chuva que caía muito forte. Ela parou, baixou o vidro da carruagem, e ele quis saber que música vinha ela a ouvir e para onde ia ela àquela hora da madrugada.
Logo aí a moura percebeu que era um dragão azul das terras altas do norte que lhe falava a sorrir, e foi sem ela se dar conta que ele a raptou, convidando-a para sua casa...
Ainda se perderam, porque o belo dragão ainda não sabia de cor o caminho de casa.
Mas a princesa deixou-se levar até ao castelo, feliz por acreditar que o dragão não lhe iria fazer mal - quem sabe seria um príncipe? (Parecia mesmo um príncipe que ela já tinha visto num filme!...)
Encontraram-se numa noite de temporal
entre o norte e o sul
e foi ela que o guiou
sem saber que estava a ser raptada
Quando chegaram ao castelo o príncipe abriu a porta devagar e entraram os dois pé ante pé, pois todos se encontravam já a dormir.
Os aposentos continuavam mergulhados na penumbra da madrugada e a princesa moura ficou a saber que no castelo não havia luz nem água, e por isso foi preciso acender uma vela.
Conversaram de música e cinema durante um bocadinho, mas o dragão dentro do príncipe começou a beijar a moura, que estava cheia de medo.
(Não é todos os dias que uma moura é raptada por um dragão azul das terras altas do norte!...)
E cheia de medo ela se foi entregando devagarinho até deixar de ser princesa, para se transformar numa sereia nos braços do belo príncipe...
Abraçaram-se muito, beijaram-se muito, mas ela temia que o dragão fosse apenas mais um sapo, e lá se ia protegendo como podia, dando muito mas não tudo.
Queria sossegá-lo, ao príncipe, mas o dragão não queria sossegar...
E foi preciso muito carinho e ternura e paciência para adormecer o príncipe e o dragão dentro dele...
Depois a sereia procurou peça a peça as suas roupas espalhadas pelo chão e foi-se vestindo devagar e sem barulho, para não o acordar.
Ela apagou a vela, tapou o príncipe adormecido e beijou-o docemente na face. Ele sorriu, sem abrir os olhos.
E a moura disse "Até logo".
Encantada.
Coimbra, 1998
terça-feira, janeiro 10, 2006
Em breve
Só um passo. Estamos todos.
Em breve o horizonte se espraiará
até aos confins da consciência.
Em breve te sentarás no cimo do farol
num dia claro de primavera.
Seguiremos de mãos dadas.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
domingo, janeiro 01, 2006
terça-feira, dezembro 27, 2005
sexta-feira, dezembro 16, 2005
terça-feira, dezembro 13, 2005
Then sing, ye birds, sing, sing a joyous song!
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.
W. Wordsworth
Ode: Intimations Of Immortality From Recollections Of Early Childhood
sexta-feira, novembro 25, 2005
Menina do circo
Ela estava a pintar os olhos quase colada ao espelho, como se estivesse à procura de alguma coisa dentro dos olhos, por debaixo das pálpebras, com um lápis de carvão. Primeiro um, depois o outro. Depois voltava ao primeiro.Cada vez que abriam a porta era uma onda de ruído que entrava pelo quarto e o enchia até ao tecto.
Ele andava de um lado para o outro, como os animais presos, da janela até à parede branca e depois voltava para trás. Não valia a pena olhar lá para fora: fazia demasiado escuro. Se houvesse uma cadeira talvez se sentasse, mas não havia cadeira nenhuma e não ia ficar ali de pé, parado, num sítio qualquer. Ficaria com ar de parvo.
A meio da sala havia uma mesa redonda com coisas para comer e algumas garrafas. Ele não tinha fome nem sede.
Foi então que ela soltou dois gritos muito agudos para desprender a voz. Se calhar para afastar a ansiedade com um susto.
Também ele sentia ansiedade. Como se fosse ele que tivesse de ir cantar para uma pequena multidão impaciente, ele que não sabia cantar, nem para os amigos. "Tudo pronto. Entramos dentro de dois minutos", ouviu dizer ao guitarrista que tinha acabado de entrar. Ela pôs-se de pé. Estava vestida como uma menina do circo que anda sobre os elefantes. Isso enterneceu-o. Aproximou-se dela para a agarrar, para a beijar, mas ela estendeu os braços em frente, afastando-o. Por causa da pintura. E os beijos enfraquecem a voz. Era o que ela costumava dizer.
O guitarrista agarrou na guitarra lacada de vermelho encostada à parede do fundo e saiu.
"Até já, meu menino". E a porta fechou-se atrás dela.
Ele ia continuar o seu inútil passeio entre a janela negra e a parede branca. Contaria as músicas. Sabia que eram treze, porque era sempre assim. Até lá não havia mais nada a fazer.
in A noiva judia
Pedro Paixão
Menina do circo II
Era muito tarde. Alguém disse que o carro já tinha chegado. Ele agarrou nela como num embrulho frágil e deitou-a no banco de trás. Foi também ele que fechou a porta. Alguém gritou o nome dela do escuro e o carro pôs-se em movimento.
A primeira à direita, a terceira à esquerda e depois entraram numa floresta de eucaliptos, silenciosa, durante alguns quilómetros. De vez em quando ele espreitava pelo espelho retrovisor, que tinha ajustado, para a poder ver, imóvel, estendida sobre o banco, e depois voltava a olhar para a frente descobrindo a estrada iluminada pela luz branca dos faróis. Aliás de noite nada tem cor, a não ser os sonhos dela que ele não podia ter a certeza de querer adivinhar.
A certa altura ele começou a assobiar muito baixinho. Voltou a calar-se e depois chamou pelo nome dela, mas sem que ela o ouvisse. Só para dizer o nome dela. Nisto ocorreu-lhe, por absurdo, a ideia de que alguém tinha morrido e que transportava consigo esse cadáver do qual era necessário desfazer-se urgentemente. Quase sentiu medo. Foi então, bruscamente, que uma mão lhe aflorou a nuca e ouviu uma voz que dizia: "Meu menino, meu menino".
Pedro Paixão
A noiva judia
segunda-feira, novembro 21, 2005
sábado, novembro 12, 2005
o amor mais fundo
quarta-feira, novembro 09, 2005
lua cheia
- eu não te quero acordar -
e sentir a flor da tua pele muito branca
na ponta da minha língua,
como se eu fosse um gato
e a tua pele a linha branca do nível do leite
morno, esquecido
e depois ir descendo pelas tuas costas
apertar e ouvir-te gemer
ir descendo pela linha da cintura até ao joelho,
sentir essa penugem loura e quente e voltar a subir
e de novo molhar a língua no teu pescoço
na linha dos cabelos que eu cortei
e aí morder-te sem magoar
e voltar a descer-te pela barriga
depois subir-te pelo peito e ouvir o teu suspiro
e ficar tonta
e continuar até ao refúgio de pêlos mais secreto do teu corpo
e demorar
sentir-te erecto e quente e descer ainda um pouco
e ouvir que tu queres mais
e dar-te mais, devagarinho
e saber que tu queres mais
e dar-te sempre mais porque é urgente
juntar o movimento do meu corpo todo
ao movimento do teu corpo todo
e ser a tua mulher no caminho da vertigem
de te dar e receber
(mesmo que queiras morrer e a vida te seja madrasta,
porque tu ainda estás vivo e ainda estás aqui)
93
sexta-feira, novembro 04, 2005
paixão e morte
cá no fundo e à flor da pele
nem a morte nem a vida me roubariam de ti
e nem de noite nem de dia te levariam de mim
deixar-te-ia correr lentamente no meu sangue
se eu pudesse guardar-te comigo
mas deixa-me em paz
sai-me da ideia, por favor
não vês que sem ti fico melhor?
não sentir o sabor da tua boca
e ir esquecendo devagar que tu já foste
o meu tesouro mais secreto
o meu veneno mais letal
o meu primeiro e último suspiro
sai de mim
por favor sai de mim
senão morro por te ter e não te ter
o teu calor dentro das veias faz-me falta
e faz-me mal
se eu pudesse guardar-te comigo
deixar-te-ia correr
lentamente
no meu sangue
deixa-me em paz
por favor




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