quarta-feira, julho 26, 2006

sábado, julho 22, 2006

as nossas almas saberão de nós

querida H.,
ver-te não é como ver qualquer pessoa, é ver-me pelos
teus olhos.
O que vivemos foi demasiado belo para que nos arrisquemos
a perdê-lo na indiferença.
É assim preciso a coragem que torne o nosso afastamento
tão belo como o nosso encontro.
Só o silêncio nos poderá agora ajudar. O silêncio preservar-
nos-á dentro de nós, no sítio onde nos encontrámos e
onde continuaremos juntos, muito quietos, a olhar-nos fixamente
nos olhos.

Nós não, mas as nossas almas saberão de nós.

P.

terça-feira, julho 18, 2006

sábado, julho 15, 2006

segunda-feira, junho 26, 2006

quarta-feira, junho 21, 2006

segunda-feira, maio 29, 2006

Sophisticated Lady

6teto abril 2002 (ensaio gravado)

sexta-feira, maio 05, 2006

terça-feira, maio 02, 2006

O Silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.



Eugénio de Andrade, Obscuro Domínio

segunda-feira, maio 01, 2006

Eh, companheiro!

quinta-feira, abril 20, 2006

segunda-feira, abril 03, 2006

Sim

Sim, um espaço desfeito
um vácuo esparsamente preenchido
gotas suspensas
por cima de outros mundos
como girassóis
como espuma

... à procura, sempre
de uma ilha de coral nos olhos
de um banco de areia no corpo...

terça-feira, março 21, 2006

até ao dia seguinte

A Mar Te hei

até ao dia seguinte

Incondicionalmente

domingo, março 19, 2006

A mar te

nunca serás tu
ou tu
foste talvez sempre tu
ainda agora

e aqui
no tempo sem tempo
a força é amor
e eu sei
que o amor absoluto não depende
nem do tempo nem do espaço

porque o amor não depende

o amor é

ou não é

sexta-feira, março 17, 2006

?






É impossível?
Ou sou eu que não mereço
voltar àquele límpido começo
em que eu e tu
(eu não me esqueço)
entrámos um no outro para sempre?

Secretamente desespero.

Mas não desisto.
E resisto.
Não me rendo.


Rafal Oblinski
Giacomo Puccini "La Boheme"

quinta-feira, março 16, 2006

Natália





Comme des colombes en désaccord
mes mains volent entre les secrets
pour se rejoindre dans la saison
où les oiseaux chantent l'amour
d'être entourés d'eux mêmes.






(inédito 56/57)

Into The Woods

sábado, março 11, 2006

31 de Maio de 1961

Sport Lisboa e Benfica
vencedor da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961

foto de Alberto Gouveia

Em Novembro de 1960 o Benfica desloca-se a Budapeste, para jogar os oitavos-de-final da Taça dos Campeões Europeus, contra o Úpjest. Depois da anterior vitória de 5-1 sobre o Heart, o Benfica vence os húngaros por 7-4.

E são chegados os quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus. O adversário do Benfica, o Aarhus da Dinamarca. A primeira “mão” marcada para o dia 8 de Março de 1961 no Estádio da Luz, em Lisboa, e a segunda para 30 de Março, na Dinamarca. Em casa o Benfica venceu por 3-1, na Dinamarca por 4 -1, tendo o golo do Aarhus sido um auto golo de Germano.

O Rapid de Viena foi o adversário do Benfica nas meias-finais. Na Luz, o resultado de 3-0, dava confiança para a segunda-mão e abria o caminho do Benfica para a final.


Foi no dia 31 de Maio de 1961, em Berna, que o Sport Lisboa e Benfica, sob a orientação de Bella Guttmann, ao bater o Barcelona por 3-2, conseguiu trazer para Portugal a ambicionada Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Tratou-se de um jogo arrasante. Aos vinte minutos do primeiro tempo, Kocsis marcou para o Barcelona. Mas ainda antes de acabarem os 45 minutos iniciais, Águas e Ramallets (este, na própria baliza) colocariam os portugueses em vantagem no marcador.
No segundo tempo, Coluna e Czibor colocaram o resultado final em 3-2, favorável aos "encarnados".
in José Águas O CAPITÃO DOS CAMPEÕES
SeteCaminhos

José Augusto, Santana, Águas, Cavém e Coluna

"O grande dia em que o Benfica ia defrontar o Barcelona para a final da Taça dos Campeões Europeus chegara. Mas, tão ou mais importante, é que o jogo “dava na televisão”, uma vez que a Eurovisão transmitia o jogo. Os nervos lá em casa eram mais que muitos. A família esperava impaciente o início do jogo que, a vencermos, daria ao Benfica o título de Campeão Europeu. Eu, na altura com nove anos, estava também contagiado por aquela dupla expectativa (o futebol e a televisão). Lá em casa eram todos sportinguistas. Apenas eu, por um lado para contrariar, e por outro porque o grande amigo da família e de quem eu muito gostava, o Tio Gil, era benfiquista ferrenho. Mas, naquela altura as cores de Portugal gritavam mais alto. “Não é o Benfica que vai jogar, é Portugal!”, dizia o meu pai com convicção. E, impaciente, admoestava-me “Vá, está calado, toma atenção”. E aí está, as equipas entram no relvado. O equipamento, embora a preto e branco no écran, mantinha as cores mágicas na minha imaginação, o encarnado e branco. Costa Pereira, Cavem, Germano, Santana, Coluna, …José Águas…! E, vá lá saber-se porquê, este último nome agradou-me, tinha qualquer coisa de diferente… de mágico…! “Oh Jorge, sai da frente! Senta-te sossegado!” O jogo tinha começado. Durante aqueles noventa minutos em que o meu pai fumava cigarro atrás de cigarro, e a minha mãe pontapeava incessantemente a atmosfera, eu, completamente enfeitiçado, não despregava os olhos do pequeno écran. O meu vocabulário enriquecia a olhos vistos: desmarcar, flancos, linha de cabeceira, esférico… E o espectáculo continuava, tão mágico que aquele José Águas que tinha, vá lá saber-se porquê, prendido a minha atenção, marcou um dos três golos que deram a vitória ao meu Benfica. Ao Portugal dos meus pais. " Jorge Galveias in José Águas O CAPITÃO DOS CAMPEÕES SeteCaminhos

sábado, março 04, 2006

Exposição Fotográfica do Z


Just Be - Coffee Lounge
av. frei miguel contreiras 54 b, lisboa
a partir de
9 de março pelas 21.30

quarta-feira, março 01, 2006

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

o fim do carnaval luso

por Francisco José Viegas
;D

"Fico sempre espantado com as notícias das televisões, que falam dos «foliões» que aguardam a passagem dos desfiles: e as imagens dão conta de umas famílias apinhadas nos passeios, com os miúdos encavalitados vendo passar o cortejo de horrores. Isto, claro, sem falar da música permanente de «mamãe eu quero, eu quero mamar» que todas as discotecas do Algarve passam aos berros para que comboios de «foliões», organizados com a espontaneidade de uma missa em latim, se meneiem e transpirem adequadamente."

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

BENFICA 1 LIVERPOOL 0


Sou do Benfica
E isso me envaidece
Tenho a genica
Que a qualquer engrandece
Sou de um clube lutador
Que na luta com fervor
Nunca encontrou rival
Neste nosso Portugal.

Ser Benfiquista
É ter na alma a chama imensa
Que nos conquista
E leva à palma a luz intensa
Do sol que lá no céu
Risonho vem beijar
Com orgulho muito seu
As camisolas berrantes
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

acerca da esterilização dos gatos

os gatos não são seres humanos, só vivem por perto...

irás assumir responsabilidade pelas gatas que o teu gato engravidar e pelos gatinhos que nascerem dessas aventuras?
vais tomar conta deles, alimentá-los, dar-lhes abrigo?
achas mesmo que há condições para que nasçam mais gatos por aí?

é de um terrível egoísmo achar "crueldade" esterilizar os bichos e não ver problema nenhum em continuar a espalhar por aí ninhadas ao Deus dará

é por muito amar os gatos que não posso ficar calada

terça-feira, fevereiro 14, 2006

pirilampo

foi a teu lado que me deitei pela
primeira vez num prado, lembras-te?
foi a teu lado que olhei por várias
vezes o céu enorme e estrelado e me
senti acompanhado.
foi a teu lado que chorei e ri, e quando
me perdi me mandaste tomar um duche
de água fria (por causa da Natureza...)
foi a teu lado que parti vidros e
gritei e depois adormeci sem saber como, encantado.
foi a teu lado, ao teu lado, em teu lado
que cresci e aprendi também a ser assim,
- pirilampo -
aquele que pelo escuro se vai iluminando.

P.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Centenário do nascimento de Agostinho da Silva





Mestre de filosofia
com mais saber e engenho
meu gato mia.

A.S.

domingo, fevereiro 12, 2006

um poema de Agostinho

Atingira um silêncio tão de espanto
que era todo universo à sua volta
um seduzido canto


- Uns Poemas de Agostinho.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

compreender e unir para que se lancem as estradas da paz

“Reservemos para nós a tarefa de compreender e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada crença não o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e de abordável, para que se lancem as estradas da paz; empreguemos toda a nossa energia em estabelecer um mútuo entendimento; ponhamos de lado todo o instinto de particularismo e de luta, alarguemos a todos a nossa simpatia.
Reflictamos em que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes só um antagonismo de nomes esconde um acordo real. […]
Não os queremos trazer ao nosso grémio nem ingressar no deles; apenas desejamos que da melhor compreensão entre uns e outros, do conhecimento das essências, se erga a morada de um Pai que não distingue entre os eleitos e a todos por igual protege e incita; cada um ficará em sua lei; só pretendemos que não tome os de leis diferentes por implacáveis inimigos ou por almas perversas e perdidas; são homens como nós e vão-se dirigindo ao mesmo fim; desde já os vejamos como futuros companheiros”


- Considerações [1944].

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

defender o seu tesouro de sonho

“Nenhum adulto foi bom em tempo algum, com excepção dos santos, os quais, qualquer que fosse a religião que os santificou, concordaram todos com as palavras evangélicas em que se aponta a criança como paradigma de homem e fizeram todo o possível pelo regresso à infância [...].
E é à criança que temos de considerar o bom selvagem, estragando-a, deformando-a, inutilizando-a o menos que nos seja possível, defendendo o seu tesouro de sonho, jogo e criação, a sua espontaneidade e a sua malícia sem maldade, o seu entendimento sem análise e o seu amar do mundo sem a preocupação das sínteses; e foi afinal desta criança feita Deus, ou Deus se revelando, para um novo Evangelho, que nos falou Alberto Caeiro [...]”

– Educação de Portugal [1970].

Centenário do nascimento de Agostinho da Silva


O que deve imperar no mundo é o comportamento inocente, espontâneo, genial na maior parte das vezes, das crianças.

Não é por acaso que o Eça disse que as crianças portuguesas sempre lhe pareceram geniais e que os portugueses só ficavam imbecis na maioridade.


Eu advogo que seria muito interessante para os portugueses acostumarem-se a viver com o menos possível, porque quando a pessoa quer mais isto e aquilo e aqueloutro porque o vizinho tem, começa a ser um escravo. Eu acho que o São Francisco se fez pobre para ser livre. Eu acho que os votos religiosos não são votos de prisão, são votos de liberdade. A pobreza, não possuir gente, que é o segundo voto, e o terceiro voto, que é ser obediente, é não se possuir a si próprio. Porque aquilo que nós possuímos nos possui.