Vieram com Lutero os vendilhões do Templo, - e o Sol se cobriu;
Vieram com os Césares os fumos de mandar, - e o Sol se cobriu;
Vieram com Trento os autos de fé, - e o Sol se cobriu;
e nunca mais Portugal foi luz.
Porque, porém, dobrou o joelho, - eis aí a pergunta;
Porque, tão fácil, entregou o guerreiro a sua espada, - eis aí a pergunta;
Porque, tão fácil, renunciou o monge à sua alma, - eis aí a pergunta;
a pergunta que, sem resposta, fez da Nação um luto.
Inês o sabe e não perdoa, - que por ela pecaram portugueses;
Fernando o sabe e não perdoa, - que por ele pecaram portugueses;
África o sabe e não perdoa, - que por ela pecaram portugueses;
curva o remorso as frontes, abate a pena as mentes.
Só pagará a dívida o que em mim for frade, - num só claustro, o mundo;
Só pagará a dívida o que em mim for braço, - de meu irmão ajuda;
Só pagará a dívida o que em mim for nada, - perante um Deus que é tudo;
como se Portugal inteiro em mim coubesse.
in uns poemas de Agostinho
ulmeiro
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sábado, julho 22, 2006
as nossas almas saberão de nós
querida H.,
ver-te não é como ver qualquer pessoa, é ver-me pelos
teus olhos.
O que vivemos foi demasiado belo para que nos arrisquemos
a perdê-lo na indiferença.
É assim preciso a coragem que torne o nosso afastamento
tão belo como o nosso encontro.
Só o silêncio nos poderá agora ajudar. O silêncio preservar-
nos-á dentro de nós, no sítio onde nos encontrámos e
onde continuaremos juntos, muito quietos, a olhar-nos fixamente
nos olhos.
Nós não, mas as nossas almas saberão de nós.
P.
ver-te não é como ver qualquer pessoa, é ver-me pelos
teus olhos.
O que vivemos foi demasiado belo para que nos arrisquemos
a perdê-lo na indiferença.
É assim preciso a coragem que torne o nosso afastamento
tão belo como o nosso encontro.
Só o silêncio nos poderá agora ajudar. O silêncio preservar-
nos-á dentro de nós, no sítio onde nos encontrámos e
onde continuaremos juntos, muito quietos, a olhar-nos fixamente
nos olhos.
Nós não, mas as nossas almas saberão de nós.
P.
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