quarta-feira, novembro 09, 2005

lua cheia

deixa-me só tocar-te breve
- eu não te quero acordar -
e sentir a flor da tua pele muito branca
na ponta da minha língua,
como se eu fosse um gato
e a tua pele a linha branca do nível do leite
morno, esquecido
e depois ir descendo pelas tuas costas
apertar e ouvir-te gemer
ir descendo pela linha da cintura até ao joelho,
sentir essa penugem loura e quente e voltar a subir
e de novo molhar a língua no teu pescoço
na linha dos cabelos que eu cortei
e aí morder-te sem magoar
e voltar a descer-te pela barriga
depois subir-te pelo peito e ouvir o teu suspiro
e ficar tonta
e continuar até ao refúgio de pêlos mais secreto do teu corpo
e demorar
sentir-te erecto e quente e descer ainda um pouco
e ouvir que tu queres mais
e dar-te mais, devagarinho
e saber que tu queres mais
e dar-te sempre mais porque é urgente
juntar o movimento do meu corpo todo
ao movimento do teu corpo todo
e ser a tua mulher no caminho da vertigem
de te dar e receber
(mesmo que queiras morrer e a vida te seja madrasta,
porque tu ainda estás vivo e ainda estás aqui)


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5 comentários:

nadanovo disse...

Bela ressa lua cheia! :)

(hoje há um gato diferente no nadas do nada)

agua_quente disse...

Gostava de ter escrito esse poema! belo, belo!
Beijos

Lyra disse...

um murro no estômago, foi o que foi.

Tramp disse...

fiquei perdida nas tuas palavras
todas
nas linhas, na pontuação
tudo
Maravilhoso!
não sei se quero encontrar o caminho de volta

becitu

lena disse...

:*